Bem vindos

Já há imenso tempo que ando para criar este blog, umas vezes por falta de tempo outras por falta de paciência... mas pronto finalmente aqui está ele... espero que gostem das viagens que lhes ofereço... só necessitam de um cadeirão e algum tempo...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Contos



Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907 em São Martinho da Anta, Trás-os-Montes. Faleceu em 17 de Janeiro de 1995. De seu verdadeiro nome, Adolfo Correia da Rocha. Miguel Torga é o pseudónimo literário pelo qual ficou conhecido. Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, colaborou na revista Presença e dirigiu as revistas Sinal e Manifesto.
Em 1976 foi distinguido com o Grande Prémio Internacional de Poesia das Bienais Internacionais de Knokke – Heist, em 1980 com o Prémio Morgado de Mateus, em 1981 com o Prémio Montaigue (Alemanha), em 1989 com o Prémio Camões e em 1992 com os Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores e Figura do Ano da Associação de Correspondentes da Imprensa Estrangeira.

Analisar os contos de Miguel Torga é como analisar reflexos sociais do interior de Portugal. Suas personagens trazem o genuíno habitante da montanha. Ao nos adentrarmos pela paisagem humana das aldeias transmontanas, encontramos em cada esquina os rostos descritos no universo de Torga. Quantas lendas e costumes não nos conta essa gente que a narrativa de Torga registrou. São personagens inseridas no ambiente rústico e pobre das aldeias. São personagens natos nas dificuldades do frio cortante das montanhas e passam pela vida com a visão irônica de todo o meio do qual emanam as tradições, as crenças, o trabalho, a religião.
CRONOLOGIA
1907 – Nasce Adolfo Correia da Rocha em São Martinho de Anta (distrito de Vila Real).
1920 – Emigra para o Brasil.
1925 – Regressa do Brasil.
1927 – Fundação da "Presença" em que colabora desde o começo.
1928 – Ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Ansiedade, primeiro livro, poesia.
1930 – Deixa a "Presença".
1931 – Pão Ázimo, primeiro livro em prosa.
1933 – Formatura em Medicina.
1934 – A Terceira Voz, prosa; passa a usar o pseudônimo Miguel Torga.
1936 – O outro livro de Job, poesia.
1937 – A Criação do Mundo - Os dois primeiros dias.
1939 – Abertura do consultório médico, em Coimbra.
1940 – Os Bichos.
1941 – Primeiro volume do Diário; Contos da Montanha, que será reeditado no Rio de Janeiro; Terra Firme, Mar, primeira obra de teatro.
1944 – Novos Contos da Montanha; Libertação (poesia).
1945 – Vindima, o primeiro romance.
1947 – Sinfonia (teatro).
1950 – Cântico do Homem (poesia); Portugal.
1954 – Penas do Purgatório (poesia).
1958 – Orfeu Rebelde, poesia.
1965 – Poemas Ibéricos.
1981 – Último volume de A Criação do Mundo.
1993 – Último volume do Diário (XVI).
1995 – Morre Adolfo Correia da Rocha.
Adorei estas viagens…

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Diário de uma Ninfomaníaca



De todos os relatos que li sobre a vida na prostituição, o DIÁRIO DE UMA NINFOMANÍACA, da Valérie Tasso, na minha opinião, é um dos melhores. Porque é chocante sem ser apelativo e também porque ela continua ela própria do início ao fim, ou seja, antes e depois de ter se prostituído.
Vivemos numa sociedade machista. Se um homem gosta de sexo é natural, se uma mulher assume que gosta de sexo, é p.... Como se as mulheres ainda não tivessem adquirido o direito ao prazer. Como se o papel da mulher fosse o de apenas ser submissa ao prazer do homem. Por mais que o tempo passe, a sociedade ainda é presa aos mesmos valores.
Além disso, o DIÁRIO DE UMA NINFOMANÍACA é uma deliciosa leitura.
É o relato de uma francesa, de boas famílias, formada em gestão de empresas - o que vem desmantelar o conceito de que prostituta só é prostituta porque é semi-analfabeta, pobre ou porque não deu certo em mais nada na vida - que gosta assumidamente de sexo - se não me engano, ela considerava 4 relações díárias como o ideal - e que depois de passar um terror psicológico com seu namorado - que era pior que chulo - acaba por entrar na prostituição. Apesar da sua experiência no campo sexual, quando chega essa fase do livro, ela vive algumas das experiências e surpresas que todas as outras mulheres também viveram.
Algumas pessoas podem ficar escandalizadas ou estupefactas ao ler esse livro, mas tudo depende da mente - aberta ou não - de cada um.
Na brincadeira, a francesa Valérie Tasso assume que é “produto do Maio de 68”, já que nasceu em Janeiro de 1969 – escreve na sua edição de ontem o «Correio da Manhã», jornal que se publica em Lisboa. Uma história que o «Canal de Moçambique» regista, com a devida vénia.
Menina de boas famílias, licenciada em Gestão de Empresas e com um alto cargo numa multinacional, aos 30 anos atingiu ao ponto de não retorno. “Tive um namorado que, com o meu consentimento, me estoirava os cartões de crédito. As dívidas eram insuportáveis. Ganhava extraordinariamente bem mas o dinheiro não chegava”, conta.
Em dois tempos terminou o namoro e decidiu tornar-se prostituta de luxo para equilibrar o saldo bancário. “Era um bom negócio, ganhava muito mais do que agora e não pagava impostos”, comenta, entre risos. “Mas também era um vício porque na prostituição ficamos apaixonadas pelo dinheiro.”
Durante seis meses trabalhou num bordel de luxo. Pagou as dívidas, apaixonou-se por um cliente italiano com quem manteve um romance durante três anos e escreveu ‘Diário de uma Ninfomaníaca’ que só em Espanha, onde passou a viver, vendeu 200 mil exemplares. O romance com o italiano acabou e Valérie não cruzou os braços: aproveitou a fama que o livro lhe trouxe e tornou-se cronista na ‘Playboy’, colaboradora do programa televisivo ‘Crónicas Marcianas’ e ainda fez um mestrado em Sexologia. Pelo meio escreveu mais dois livros – ‘Paris à Noite’ e ‘O Outro Lado do Sexo’ (ainda não traduzido para português).
Em ‘Paris à Noite’ (Livros de Hoje), título que veio promover a Lisboa, recorda a viagem que fez à Cidade Luz e como se apaixonou por uma mulher com quem teve relações sexuais: “Nós não nos apaixonamos pelo sexo feminino ou masculino, apaixonamo-nos por pessoas.”
Defensora do sexo e da liberdade de expressão, crê que a maior parte dos casais não é sexualmente feliz: “As mulheres muitas vezes não estão na relação sexual. Estão fora, a pensar que são gordas ou que têm celulite”, diz. A expert deixa conselhos: “Os parceiros têm de ser espontâneos e perder a vergonha de perguntar um ao outro o que lhes dá prazer.”
Quando publicou ‘Diário de uma Ninfomaníaca’ usou um apelido falso para preservar a família. Mesmo assim, tal como os amigos, viraram-lhe as costas. “Neste momento com a minha família biológica as coisas melhoraram e, como o meu pai morreu há seis meses, penso que vou publicar o meu segundo livro em França, o meu país natal. Mas a minha verdadeira família é o meu grande amor, o Jorge, e os nossos três gatos”, confessa emocionada.
Apesar de já ter percorrido meio mundo – até viveu em Marrocos com um árabe – o sonho desta rapariga de 38 anos é conhecer o Japão. Por agora mostra-se feliz por saber que o seu livro de estreia está prestes a chegar a terras nipónicas.•
Perfil
Valérie Tasso nasceu em La Champagne, Reims, França, a 23 de Janeiro de 1969.•
Licenciada em Gestão de Empresas e mestre em Sexologia, foi executiva numa multinacional e… prostituta. É escritora, cronista e produtora.
Namorado abstinente

Chama-se Jorge dos Santos e, apesar do nome português, é espanhol. O avô era do Porto mas a família não demorou a dar o salto. Tem 42 anos, licenciou-se em Filosofia, mas a sua grande paixão é a arte. Além de pintar, é escultor. Valérie e Jorge conheceram-se há cerca de três anos através de um amigo comum que é psiquiatra. Ele vivia em abstinência sexual, ela tinha sexo diariamente. Os opostos atraíram-se e desde então estão juntos e felizes. Jorge acompanha-a quase sempre nas suas viagens.
Em “Diário de uma Ninfomaníaca”, Valérie Tasso fala de três mulheres distintas: a viciada em sexo que até num cemitério teve relações com o coveiro, a prostituta de luxo que saciava o seu apetite sexual enquanto ganhava dinheiro e a mulher que se apaixonou. O sucesso deste livro (traduzido em 18 línguas) foi tal que em 2008, numa co-produção europeia, será rodado um filme baseado na biografia de Valérie Tasso. “Gostava que a protagonista fosse uma actriz francesa, tal como eu”, diz a autora.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Música de Praia


Já lá vão alguns anitos desde que li este livro, não sei bem porquê ainda me recordo…

No decorrer da vida, há sempre um momento em que as agruras do passado e as promessas do futuro se encontram para dançar pela última vez............
145. A minha mãe também me ensinou que a beleza era um intocável dom maravilhoso, que muitas vezes pertencia mais ao mundo do que àqueles a quem o favor era atribuído.
146. A raiva é um grande anti-depressivo.
147. Não sei porquê, mas sempre fui mais feliz a pensar no sítio onde estive ou onde gostaria de
ir do que onde estou. É-me difícil ser feliz no presente.
148. (...) o exílio era a melhor maneira de santificar o regresso a casa.
149. A única escola que frequentei foi a dos erros e tentativas
150. Existe um pássaro bonito de mais para voar com os corvos e estorninhos. Os outros pássaros atacam-no em bandos e ferem-no quando ele tenta cantar. Nada que é terno consegue sobreviver. A natureza odeia a bondade e a docilidade. (...) Estão ambos tão cheios de amor que ficam desequilibrados. O peso insuportável desse amor inunda-os, excede-os e torna-os impossíveis de aturar. Precisam de amor em proporções iguais às que atiram fora. Toda a gente os desaponta. Mais cedo ou mais tarde acabam por morrer de frio. Nunca encontram o anjo certo.

“Sou um homem muito frio, mãe. Há algo em mim que arrepia aqueles que tentam chegar-se a mim (...). Não quero ser assim, mas, mesmo quando estou consciente disso, não consigo ser
diferente. Disse à Leah que o amor é mais uma coisa que tem de ser ensinada.
Penso que pode ser dividido em várias peças numeradas para tornar o seu manuseamento mais fácil. Acho que ninguém me ensinou, mãe. E acho que passou por cima de ti e do pai. Toda a gente está sempre a falar de amor. É como o tempo.
Mas como é que um homem como eu aprende? Como é que eu o faço sair da parte mais profunda do meu ser? Se eu soubesse como soltá-lo, partilhá-lo-ia com todos.
Distribui-lo-ia generosamente à minha volta. Mas ninguém me ensinou os passos dessa dança. Ninguém desmontou o amor para eu ver como era feito. Acho que a única maneira como posso amar é em segredo. Há um rio profundo em cujas águas me posso saciar quando não há ninguém por perto. Mas como está escondido e por descobrir, não posso chefiar uma expedição até lá. Por isso amo de modo estranho e oblíquo. O meu amor torna-se numa espécie de conjectura e não me sacia nem me apazigua a dor."

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um


No Natal de 2004 recebi este livro de Richard Bach oferecido por um Amigo, nessa altura andava a tirar uma formação de Legislação Laboral, resultado até ser hora de ir para a formação e nos intervalos da mesma passava cada minuto a devorar esta obra com edição no ano de 2000… 
Levou-me a viajar até ás escolhas que nós fazemos na nossa vida, aos caminhos que seguimos, umas vezes certos outras errados… e ao quantas vezes pensamos “… se eu tivesse feito isto, ou se eu estivesse escolhido isto…” Uma viagem a universos paralelos onde nos encontramos com os outros possíveis EU's… 
Richard Bach tem como actividade principal a pilotagem de pequenos aviões e planadores. Vive numa ilha com a mulher, Leslie Parrish-Bach. 
“Por mais preparados que estejamos, ou mais merecedores que sejamos, só atingiremos uma vida melhor quando a imaginarmos por nós próprios e nos permitirmos tê-la” Pág. 77 
“ As coisas más não são as coisas piores que nos podem acontecer. NADA é o pior que nos pode acontecer.” Pág. 79 
“Não há desgraça que não se possa tornar uma bênção e não há bênção que não de possa tornar uma desgraça” Pág. 81
 Adorei estas viagens…

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Queimada Viva



Mais uma história verídica que vos trago neste espaço.

Souad era uma rapariga à qual foi incutida a doutrina Árabe. Esta, como todas as outras mulheres, era mal tratada, espancada, abusada sem qualquer direito de resposta. Filha de uma família numerosa com apenas um irmão, para infelicidade do pai, como qualquer mulher, Souad apaixonou-se e como consequência disso ficou grávida. Uma gravidez que veio contestar todos os costumes e por isso foi escondida. Até que um dia já não mais foi possível esconder. Como consequência a família jurou vingança pela sua honra. O cunhado, a mando dos pais, tenta queimá-la e, para sua infelicidade, não a consegue matar. Souad já no hospital, é alvo de um possível assassinato da parte da mãe. Uma organização tenta salvá-la trazendo-a para a Europa, o que se conseguia mais tarde. Souad é tratada de forma muito terna e assim toma consciência que afinal que afinal o que lhe diziam sobre a terra dos pecadores, era verdade apenas para os ideais árabes. Viu-se confrontada com uma sociedade com liberdade de escolha com a qual nunca sonhara. O seu filho esteve na maternidade enquanto Souad estava no hospital. Mais tarde, o seu filho Marouan foi adoptado já com cinco anos, pensando ela que teria uma vida melhor. Souad apaixona-se uma segunda vez e casa, o que a leva a ter duas filhas. Durante muitos anos, Souad só foi ver três vezes o filho. Jacqueline a mulher que a salvou pediu-lhe que desse o seu testemunho escrevendo o livro. Souad foi ver pela quarta vez o filho. Todos se reconciliaram e os seus filhos dão-se lindamente. Marouan escreve uma carta à mãe a dizer que desde que a reencontrou, começou uma nova vida.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

De Bagdade, com amor…

 

Está a fazer um ano que recebi este livro como prenda de Aniversário, para não variar, acho que demorei dois dias a lê-lo… e como era uma história verídica levou-me a perder algumas horas de sono para saber o final quanto antes. 

 " Ao entrarem numa casa abandonada em Fallujah, no Iraque, alguns fuzileiros ouvem ruídos suspeitos, empunham as armas, contornam uma parede e preparam-se para abrir fogo. O que encontram durante o ataque americano à “cidade mais perigosa do mundo”, contudo, não é um rebelde apostado em vingar-se, mas um cachorrinho, abandonado durante a fuga da maior parte da população civil antes de começar o bombardeamento. Apesar da lei militar que os proíbe de ter animais de estimação os fuzileiros tiram as pulgas ao cachorro com querosene, desparasitam-no com tabaco de mascar e e empanturram-no com refeições de consumo imediato. Inicia-se assim a dramática tentativa de resgatar um cão chamado Lava, que por sua vez irá salvar das feridas emocionais da guerra pelo menos um fuzileiro, o tenente-coronel Jay Kopelman. Desde fuzileiros experientes a jornalistas de guerra, passando por civis iraquianos que arriscam as suas vidas, De Bagdade, com amor… narra a inesquecível aventura verídica de um grupo inverosímil de heróis que aprende, com um pequeno e frágil cachorro carregado de pulgas, inesperadas lições sobre a vida, a morte e a guerra. "

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Desde que me conheço e que aprendi a ler, um livro foi sempre companhia habitual para onde quer que fosse, onde quer que estivesse, desde o autocarro, aos intervalos das aulas lá estava eu de livro na mão. 

Li tudo o que havia de livros infantis e depois na adolescência, ia à biblioteca e trazia três livros de cada vez, tinha quinze dias para os entregar, três ou quatro dias depois lá estava eu de novo a entregar aqueles e buscar outros... 

Em casa, tinha também muitos livros, uns que recebia de presente, outros que o meu pai tinha trazido da tropa, sim porque nos tempos livres dos 27 meses em Moçambique ele entretinha-se a ler... Fazia colecções que ainda andam lá por casa… tipo colecção 6 balas… e que eu li e reli dezenas de vezes… Enfim... velhos tempos que já lá vão e que tantas saudades deixam