Quem é que ao ler um livro não viaja?... viagens de amor, de mistério, de aventura... até onde nos pode levar um livro?
Bem vindos
terça-feira, 8 de novembro de 2011
A Truta
sábado, 17 de setembro de 2011
O doutor Jivago
"O contexto histórico de O Doutor Jivago incide nas transformações sociais ocorridas logo após a Rvolução de Outubro de 1917 a qual culmina com a execução da família Romanov e a instauração do Regime Soviético, em vigor durante mais de 70 anos.
O romance valeu o Prémio Nobel ao Autor em 1958. Foi, no entanto, impedido de o receber pelas autoridades estatais da União Soviética que não permitiram a sua deslocação a Estocolmo para o efeito. Só em 1987 Pasternak será reabilitado por Gorbachov, dentro do movimento da pereströika e a sua obra finalmente divulgada dentro do território da URSS.
O Doutor Jivago é, em muitos aspectos, revestido de carácter autobiográfico, uma vez que o protagonista do romance – um médico-escritor-pensador-poeta que coloca a nu as contradições do regime ao utilizar uma linguagem objectiva, na maior parte das vezes de pendor jornalístico, ou sob o formato de crónica, sempre sem recorrer a juízos de valor – vê-se, subitamente, privado de uma colocação estável, devido aos seus escritos e à livre expressão do Pensamento. Jivago é um homem fortemente ligado à realidade do quotidiano e, ao descrevê-la objectivamente, torna-se perigoso para os homens de ideias abstractas, por colocar em evidência o enorme abismo entre utopia e realidade.
A linha de desenvolvimento do o romance explora, através de quadros que ilustram cenas do quotidiano de todas as classes sociais que compõem a pirâmide social russa da época, através de uma análise fria e da utilização de uma linguagem de carácter informativo-jornalistica para descrever os factos históricos. Em ambas as situações, o narrador actua como um observador, um fotógrafo ou um camaraman, o qual manobra a sua objectiva para captar cenas individuais, envolvendo cidadãos anónimos mas inseridas num quadro de mudança estrutural a todos os níveis: económico, social e cultural.
Um olhar nem sempre conveniente para os órgãos difusores da propaganda comunista. Pasternak empenhou-se em mostrar como a dissecação das contradições decorrentes de uma total destruição da superestrutura político-jurídica e da interacção dos agentes económicos se traduziu num caos e desagregação económica e de uma situação de empobrecimento generalizado onde se junta a falta de bem consumíveis mais básicos.
A tomada de consciência colectiva desta desorganização iria colocar o novo governo numa situação embaraçosa que o desacreditaria sendo, desta forma, compreensível a necessidade de colocar uma obra deste género na sombra.
As transformações ocorridas no quotidiano das gentes da velha Rússia são-nos mostradas em O Doutor Jivago através da análise transversal da sociedade da época – finais da primeira Grande Guerra do século XX e interregno entre as duas Grandes Guerras, até ao final da Segunda Guerra Mundial.
A mudança mais notória é o desaparecimento de uma burguesia progressista e empreendera, de uma aristocracia agarrada às velhas tradições que remontam ao feudalismo e de uma classe intelectual proveniente destas duas facções, durante o reinado de Nicolau II. Parte dessa mesma classe intelectual acaba por se converter em burocratas, difusores da propaganda no novo regime, algo que Pasternak e o seu alter-ego, Jivago, se recusam a fazer, sofrendo as consequências da sua opção ou, melhor dizendo, da insistência da observação da neutralidade ideológica e manutenção da independência e integridade do pensamento individual e das atitudes face ao Estado.
O Czar Nicolau, apesar de ser uma personagem meramente figurativa neste romance, mostra-se como um governante que, apesar de ligado às tradições, se mostra receptivo a novas formas de governação de inspiração francesa quer no que toca ao desenvolvimento da indústria – a Rússia encontra-se nesta altura em pleno arranque da Revolução industrial – quer na orientação ideológica na forma de governar retirada do Iluminismo. Apesar das constantes ameaças ao regime, provenientes dos movimentos revolucionários de inspiração marxista que actuavam na sombra e intensificados pela revolta popular após a execução do mago e monge Rasputine – o qual Nicolau II considerava como charlatão, cínico e falso milagreiro – o Czar decide abolir a pena de morte, reinstaurada após a Revolução pelos Sovietes.
Os conflitos anteriores à Revolução de Outubro são, segundo o ponto de vista de Pasternak e confirmados por várias fontes históricas da época, despoletados pelos abusos de poder por parte de alguns elementos das classes mais favorecidas traduzindo-se em actos despóticos e de vandalismo verificando-se, simultânea e frequentemente, a impunidade dos mesmos. Uma classe representada claramente pelo escorregadio e camaleónico Komarovski ou Komarov, advogado burguês no tempo do Império e burocrata no novo regime, que se serve da sua posição para exigir favores sexuais a Lara, a protagonista feminina.
Os tumultos, as revoltas, as cenas urbanas e campestres têm, como pano de fundo, a tecedura de um cenário recheado de detalhes e cambiantes cromáticos, sonoros e cinestésicos que permitem a visualização de todas as cenas como se estivéssemos a ver um filme, passado não só em Moscovo, mas também na Sibéria, nos Urais, na fronteira com a Ásia e a Mongólia.
A escassez a nível generalizado está patente, sobretudo, nas cidades onde a dificuldade em adquirir lenha ou outro combustível para o aquecimento – face ao desaparecimento dos fornecedores e pelos rigorosos esquemas de racionamento decretados pelo Governo – agudiza a proliferação da fome, bem como das doenças infecciosas, apesar do silêncio generalizado relativamente à origem destes factos.
As alterações dos hábitos de toda uma sociedade, a começar pelas classes outrora mais favorecidas, traduz-se na ocupação de espaço no palacete da família da esposa de Jivago, Tonia, em Moscovo obrigando a família a deslocar-se primeiro para Varikino, na Sibéria junto aos Urais e, depois a procurar exílio em Paris.
As consequências da proibição no que respeita à produção e fornecimento de qualquer bem primário ou manufacturado ficam evidentes pela constatação de Jivago ao verificar que Tonia não consegue produzir pão, para consumo próprio e venda do excedente, no palácio de Varikino; ao enfrentar as dificuldades titânicas em encomendar uma peça de vestuário para uma emergência a uma costureira – toda a iniciativa privada está proibida – uma vez que tal só é possível nas fábricas estatais tendo de preencher, para o facto, uma requisição. Mesmo, uma nova fechadura para a porta da entrada da casa de Lara em Iuriatine, que se encontra partida, dada a impossibilidade de encontrar um serralheiro a exercer funções, não se consegue arranjar.
Boris Pasternak nunca critica o regime directamente para evitar transformar um romance que pretende descrever uma realidade social em contexto de mudança, num manifesto de contra propaganda comunista, o que lhe retiraria crédito e verosimilhança. E é esta última característica que, por estar tão impregnada no romance, aumenta exponencialmente a força o impacto do texto e obriga o leitor a reflectir sem submetê-lo a todo um esquema de argumentação ideológica e abstracta, vazia de conteúdo.
O Amor como temática principal inserido em contexto histórico adverso
Outro tema-chave de O Doutor Jivago é o Amor, ou não fosse um poeta a personagem principal. O amor está presente em todas as suas manifestações, desde o amor filial – logo na primeira cena, com Iuri Jivago como protagonista no funeral da mãe – a colocar em evidência o carácter ultra sensível do protagonista cuja debilidade física, ainda embrionária, acabará por vitimá-lo pouco depois de atingir os quarenta anos. A expressão deste amor filial em Iuri é, depois, transferida para os pais de Tonia, que acabam por adoptá-lo até entrar, oficialmente, para a família após casar com a irmã adoptiva.
Jivago e Tonia vivem, durante muitos anos, como irmãos e desenvolvem um afecto mútuo e genuíno.
Tonia é dotada de um espírito pragmático e grande desembaraço, adquirido durante o período em que estuda Direito, em Paris. É através de do percurso de Tonia e, mais tarde de Lara, que nos apercebemos que, no início do século XX, as mulheres da alta média e alta burguesia eram incentivadas ou, pelo menos não eram impedidas de frequentarem o ensino superior e exercer profissões liberais, o que não acontecia na maior parte dos países da Europa Ocidental, Portugal inclusive.
O carácter de Tonia cria um forte contraste com a índole sonhadora e romântica de Jivago, que escolhe a profissão de médico, com o objectivo de ser útil à sociedade, por um lado – e, também, para garantir uma colocação que lhe permita sustentar uma família. Para além da Medicina, Jivago dedica-se apaixonadamente à escrita. Como poeta, filósofo e esteta desinteressado das questões materiais, abdica da herança paterna em favor dos irmãos, para não dispersar a energia em conflitos jurídicos que poderiam impedir, quer o desenvolvimento do lado criativo da personalidade quer a concentração necessária ao exercício da profissão e a dedicação aos estudos.
Com a chegada da adolescência nasce, entre Tonia e Jivago, um amor adolescente, largamente incentivado pela mãe de Tonia, sobretudo quando esta se encontra fatalmente doente.
Mas o aparecimento acidental de Lara na vida de Iuri, já depois de casado, despoleta autêntica uma revolução, um caos emocional no íntimo de Iuri Jivago, tanto quanto o comunismo subverte as estruturas da velha Rússia de raízes feudais. Lara representa para Jivago O Ideal de Eterno feminino, a própria Inspiração.
Na verdade, ambos têm muito em comum, desde a forma de ver o mundo até aos gostos estéticos. Mas a característica principal dos dois amantes é o altruísmo. Lara e Jivago são, ao mesmo tempo, semelhantes e complementares: à faceta sonhadora e idealista de Jivago, junta-se o pragmatismo de Lara para a resolução dos pequenos grandes problemas do quotidiano, como a prática de enfermagem e resolução de problemas logísticos em casa. Aluna brilhante, Lara é uma jovem que pretende continuar os estudos para poder leccionar – um impulso para trabalhar para a colectividade muito semelhante ao de Jivago. Tudo isto reúne um conjunto de factores que reforçam uma atracção espontânea, recíproca e imediata, entre o par romântico da obra.
Em relação ao marido de Lara, Pavel Antipov, Lara alimenta por ele um forte sentimento de amizade e solidariedade a par de admiração. No entanto, Lara “ama-o com a cabeça e não com o coração”…
Antipov é um indivíduo bem intencionado mas no qual se nota, logo a partir da descrição do seu aspecto exterior, um a excessivo apego à ordem, à arrumação, a par de um sentido de dever que o leva a colocar a obediência às normas num patamar que supera, inclusive, os afectos.
Por seu lado, Jivago acaba por simpatizar com o marido de Lara, intuindo também, o fim deste, como consequência do desenrolar dos acontecimentos que ditam a marcha da história. O excessivo apego às regras acaba por tornar Antipov inconveniente ao próprio regime.
Nos últimos oito anos da vida, Jivago encontra uma terceira mulher – Marina – de origem humilde, mas que não consegue fazê-lo esquecer Lara. Jivago perde até a vontade de lutar, de escrever, de combater a própria doença, desde muito cedo auto diagnosticada…
A síntese
A ligação entre os dois temas principais, paralelamente desenvolvidos, é o despoletar de mudanças radicais que, tanto as ambições políticas como o amor, desencadeiam no Homem. A desagregação das estruturas, causada pelo primeiro termo, traz ao de cima, em situações extremas, impulsos tão bestiais como a antropofagia. A única coisa que o Estado não consegue expropriar – porque ainda mais rebelde que as reviravoltas políticas dos grupos mais extremistas – é o amor. Principalmente o amor que não cabe dentro de convenções sociais, do sentido do dever…O amor por Lara é algo a que Jivago se agarra com “unhas e dentes” porque é a única coisa que lhe resta. Quando lho retiram, por intermédio de Komarov, deixa de se importar seja com o que for. O astuto advogado revela uma conduta que faz lembrar Scarpia – o vilão da ópera de Puccini ou o Shakespeariano Iago.
O Simbolismo na escrita de Boris Pasternak
A beleza, o romantismo e a melancolia, profundamente enraizados na tradição cultural do imaginário russo estão, em O Doutor Jivago, presentes sobretudo nas lendas e canções tradicionais em vários momentos do romance, onde se destaca a ladainha entoada pela velha curandeira, “rival” de Jivago no tratamento das feridas de guerra dos soldados da unidade onde este se encontra destacado, no Exército Vermelho, pouco antes de desertar.
A identificação da paisagem visual com o estado de alma de Jivago, frequente na obra, causa um forte impacto visual, ao desempenhar o papel de canalizadora de emoções. O gelo e a infinita gradação denuances de branco e cinza na paisagem siberiana traduzem, normalmente, o desespero; o carácter eterno e a solidez de árvores como as bétulas, os abetos e os pinheiros, essenciais à sobrevivência por fornecerem a madeira indispensável ao aquecimento nas habitações, são um presença que transmite conforto.
Os pássaros como os corvos e as gralhas, são sinalizadores de mau presságio, com o seu crocitar escarninho. Também o narrador, quando quer mostrar a linha de pensamento de Jivago, identifica-o com o rouxinol, ave de aspecto insignificante, mas cujo canto tem o poder de deslumbrar o mundo – tal como a poesia de Jivago. O uivar dos lobos em Varikyno, que perturba o par romântico da obra, anuncia a aproximação do Inimigo – Komarov e o Exército Vermelho – no encalço de Jivago após a deserção. Os lobos são, também, presságio de morte violenta – a de Antipov.
A Lua, em Pasternak, está, também, carregada de simbolismo. O luar, reflectido na neve em Varikyno, transforma a noite numa claridade feérica, mágica e fantasmal, que “ilumina sem aquecer” ao erguer-se no horizonte da noite siberiana. Trata-se de um presságio de separação para os amantes…
Em vários momentos, ao longo do romance, a presença da Lua, sobretudo quando aureolada de vermelho, está fortemente conotada com acontecimentos trágicos, como na página 132, a simbolizar um conflito na rua entre duas facções opostas: “Por detrás do ninho de corvos, surgiu a lua, uma lua cheia, vermelha e escura, alta e monstruosa (…). E depois, no capítulo VII, antes de um banho de sangue: (…) “ia alta a Lua, e o mundo mergulhava nessa luz espessa como num charco de alvaiade (…) vielas mortas vinham desembocar na praça (…) essa noite banhada pela Lua, maravilhava como a misericórdia divina ou como o dom dos visionários”. A Lua, apesar de fascinante, parece sempre estar associada a alguma divindade misteriosa e terrível como a deusa Hécate nos antigos Gregos…
Outro ícone carregado de simbolismo é a “Sorveira gelada”, árvore de folha perene, coberta de neve e bagas vermelhas de que os pássaros se alimentam como os necrófagos – humanos e animais – se alimentam dos cadáveres sangrentos dos soldados mortos…A arvore está localizada junto à vala comum onde é executado um grupo de desertores…
É junto dessa sorveira que Jivago decide empreender a fuga em direcção à aldeia siberiana de Varikyno e a empreender uma penosa odisseia através de uma das zonas mais geladas do globo, fingindo recolher algumas bagas para, tal como os pássaros enganar a fome…
Mais tarde, é à visão, bela e fatal, de uma árvore semelhante que Jivago associa a morte de Antipov, o qual se suicida…A Jivago, as gotas de sangue sob a neve, junto ao barracão do palácio em Varikyno, lembram-lhe as bagas da sorveira brava e o sangue dos desertores executados pelos burocratas do regime.
Para Iuri, a vida termina com a partida de Lara, contra a vontade de ambos, forçada pelas circunstâncias. Para além de se ver privado da pessoa que ama, a mutilação da livre expressão do pensamento, da criatividade na escrita e na arte como “expressão de verdade individual”, obriga-o a escolher a renúncia e a sobrevivência, o que lhe tira o ânimo até para o exercício da Medicina.
Jivago não deixa de notar que, até os seus melhores amigos, submetidos e enquadrados de alguma forma no regime, são falhos no que toca à originalidade, limitando-se a repetir fórmulas decoradas baseadas em conceitos abstractos. Jivago sente que os parceiros de outrora se “venderam”.
Nem a intervenção, do misterioso irmão Evgraf, membro da polícia secreta, sempre presente nos momentos cruciais, consegue evitar que Iuri se afunde…Este consegue apenas reunir os escritos de Iuri, incluindo os Poemas a Lara e publicá-los já após a sua morte.
Afinal, na Nova Ordem, os problemas do anterior regime persistem. No fundo, o essencial não muda nunca.
Por mais revoluções que se façam, haverá sempre presas e predadores. "
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Ashanti (Ébano)
Alberto Vásquez-Figueroa nasceu em Santa Cruz de Tenerife, em 1936. Até aos dezasseis anos viveu no exílio com a família em Marrocos e no Sahara.Licenciou-se em jornalismo e em 1962 iniciou uma longa actividade como enviado especial da revista Destino, do jornal La Vanguardia e mais tarde da TVE. Durante quinze anos visitou quase uma centena de países e foi testemunha de numerosos acontecimentos-chave do nosso tempo, entre os quais as guerras e revoluções da Guiné, Chade, Congo, República Dominicana, Bolívia, Guatemala... Depois de se dedicar à realização cinematográfica, centrou-se por inteiro na literatura. Com mais de 40 livros publicados, nove dos quais adaptados ao cinema, Alberto Vázquez-Figueroa é um dos autores espanhóis mais lidos em todo o mundo e conta com mais de dezasseis milhões de livros vendidos.O Rei Amado é já o sexto livro do autor publicado na Difel, depois de Ícaro, O Inca, O Senhor das Trevas, Um Mundo Melhor e Tuaregue.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
O Codex 632
O autor José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 Horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002.
Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Director de Informação da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros. Já publicou quatro ensaios e este é o seu terceiro romance.
Baseado em documentos históricos genuínos, este novo romance de José Rodrigues dos Santos, transporta-nos numa surpreendente viagem pelo tempo, uma aventura repleta de enigmas e mitos, segredos encobertos e pistas misteriosas, aparências enganadoras e factos silenciados, um autêntico jogo de espelhos onde a ilusão disfarça o real para dissimular a verdade. Uma obra admirável que não se consegue parar de ler!
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Cem anos de solidão
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
A Luz de um Novo Dia
terça-feira, 21 de setembro de 2010
O Código Da Vinci
terça-feira, 13 de julho de 2010
Encontro de Ex.Combatentes no RI 15/TOMAR
Como o próprio nome indica trata-se de um dos muitos livros que nos leva de volta a Moçimboa da Praia e aos longínquos anos de 1971-1974... BCAÇ 3868.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A terra será tua
sábado, 3 de abril de 2010
100 Maravilhas do Mundo
Círculo de Leitores, Setembro de 2006
Gostei do livro, só tive pena que Portugal não estivesse representado, que não houvesse nenhuma das nossas maravilhas incluídas no livro.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Um amor em tempos de guerra
Editado pela A esfera dos Livros em Janeiro de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
A chave da Luz
Numa noite de tempestade, três mulheres encontram-se numa enigmática festa num velho casarão. Malory, Zoe e Dana não se conhecem, mas têm um ponto em comum: todas estão na eminência de perder os empregos. Sabendo disso os seus anfitriões fazem-lhes uma proposta que lhes poderá render uma enorme quantia. Para a ganharem, terão de encontrar três chaves que abrem uma misteriosa caixa onde se encontram aprisionadas as almas de três princesas. Cada uma delas terá apenas 28 dias para encontrar a chave que lhe corresponde, e só poderá prosseguir caso a sua predecessora seja bem sucedida. Porém, caso falhe, todas perderão um ano das suas vidas.
Apesar do perigo, a tentação é grande, e a sorte dita que seja Malory a primeira a tentar encontrar a sua chave, a Chave da Luz. O destino das três está agora nas suas mãos pois, se falhar, a vida de todas poderá ficar destruída para sempre.
… Ora aqui está um livro que me deixou com imensa vontade de ler os seguintes… se é que existem…lol… deparamo-nos a torcer pelas personagens em busca das chaves que como se percebe ao longo da história não são físicas mas residem no interior de cada uma das 3 mulheres…
Outras obras da autora publicadas pela Bertrand:
Um sonho de amor
Um sonho de vida
Um sonho de esperança
As jóias do sol
As lágrimas da lua
segunda-feira, 29 de março de 2010
O coração do mar
Um livro de 2000, Editado pela Bertrand em Setembro de 2009
Darcy Gallagher sempre acreditou na importância da fé, na força da tradição… e no poder do dinheiro. Sonha em encontrar um homem rico que a apresente a um mundo repleto de glamour e aventura, que acredita ser o seu destino.
Trevor Magee, um homem de negócios com antepassados irlandeses, chega a Ardmore com a intenção de construir um teatro… e descobrir os segredos dos seus antepassados. Há muito que não acredita no amor, mas Darcy tenta-o como nenhuma mulher alguma vez fez. Ela é maravilhosa, inteligente, sabe o que quer… e ele está mais do que disposto a dar-lho.
Mas quando a sua atracção mútua se transforma em paixão, olham para os seus corações e descobrem que numa terra antiga como a Irlanda, o amor tem raízes na própria magia.
… Este é o terceiro livro da triologia de que fazem parte, As jóias do sol
As lágrimas da lua… dando-nos a conhecer toda a família gallagher e a forma como foram escolhidos para libertar o amor do príncipe das fadas com uma comum mortal…
sexta-feira, 26 de março de 2010
Saga os MacGregor – O Início de uma saga
quarta-feira, 24 de março de 2010
Ultramarina
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Moçambique 1964-1974 - ex-combatentes Portugueses e da Frelimo falam da guerra
De forma a elucidar os seguidores deste blog, vou transcrever alguns excertos do livro, de forma a “entrarem” no pensamento daqueles jovens de 21/22 anos, que cada vez que saíam do quartel para irem para o mato, iam sempre com a incerteza de voltar.
Pág. 154 – “ Olha, se houver azar, levas a minha mala e as minhas coisas e entregas aos meus pais”, Fernando Martinho da Silva Coelho – Bcaç. 3868 - CCS
Pág. 156 – “Finalmente os filhos pródigos regressaram à família, a Companhia” excertos do testemunho de Fernando Martinho da Silva Coelho – Bcaç. 3868 - CCS, quando chegou a Ribaué para se reunir novamente à Companhia que tinha partido de Moçimboa da Praia deixando-o e a mais 3 companheiros para trás numa missão.
Tal como consideravam os companheiros de Batalhão a família, consideravam os quartéis onde permaneceram tantos meses a sua casa. E era este espírito de união que os ajudou a suplantar tantos acidentes, emboscadas, perdas… que os ajudou a sobreviver…
Pág. 148 “Devo dizer que apesar das baixas em pessoal e material, nunca vi o Batalhão vergar. Vi homens a chorar amigos que não voltaram. Vi desânimo estampar-se-lhes no rosto, mas na hora de enfrentar de novo as dificuldades, vi-os pôr-se em pé e ir á luta. “ excerto do testemunho de José Aires Palmeira Queimado – Bcaç. 3868
Pág. 109 “A guerra em Moçambique era uma guerra de pobres, sustentada por um país de pobres, que tinha que repartir o chamado “esforço de guerra” por três frentes em simultâneo: Angola, Guiné e Moçambique. Só militares com a rusticidade e capacidade de sofrimento da nossa gente conseguiriam suportar durante tanto tempo tão gritante carência dos mais elementares e essenciais meios de apoio. Segundo revelam as estatísticas, em menos tempo de guerra morreram em Moçambique mais militares do que na soma dos conflitos armados da Guiné e de Angola. Quantas vidas não se perderam em Moçambique só porque não existiam suficientes e capazes meios aéreos para rápidas evacuações?”
Excerto do livro “Estilhaços, Crónicas de uma guerra que não se perdeu” de Laurélio Monteiro Ferreira da silva transcrito para o livro Moçambique 1964-1974 Ex-Combatentes Portugueses e da Frelimo falam da Guerra
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Tieta do Agreste
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Dona Flor e seus dois maridos
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Da Vila Forte a Terras do Índico
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
As Lições do Tonecas
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O Doce Veneno do Escorpião

segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Valorize mais a sua vida
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Como encontrar a paz interior

“Não desespere. A felicidade ainda existe. Está mais perto do que você imagina. O céu pode começar dentro de si. Só depende de uma coisa: da sua escolha. Você pode escolher uma vida diferente, com novas metas. O caminho pode ser difícil, mas há um Amigo que pode ir consigo até ao fim. “
Ellen Gould Harmon White, (Gorham, 26 de Novembro de 1827 — Santa Helena, Califórnia, 16 de Julhode 1915) considerada uma profetisa pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Filha de Robert e Eunice Harmon, fazia parte de uma família de oito filhos, tendo como irmã gêmea Elizabeth.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Peregrinos do Cristo Rei de Almada

“ Este livro nasceu da necessidade pastoral de explicar aos visitantes do Santuário de Cristo Rei a grande mensagem de Paz e de Amor de que é portador este local. Mais do que um belo miradouro sobre Lisboa, um monumento, Cristo Rei é um Santuário onde o homem é provocado a descobrir, sentir e viver Deus na sua vida. A beleza natural da paisagem que se vislumbra, juntamente com as várias obras plásticas, ajudarão o leitor a meditar sobre tal questão. “
Sezinando Luís Felicidade Alberto, nasceu em Azinheira dos Barros, Grândola, a 19 de Junho de 1970. Frequentou os Seminários de Beja, Setúbal e Olivais (Lisboa) e o curso de teologia na Universidade Católica Portuguesa, também em Lisboa. Foi ordenado sacerdote no dia 8 de Junho de 1999 e nomeado reitor do Santuário de Cristo Rei, em Almada, a 15 de Agosto de 2002, tomando posse a 1 de Janeiro de 2003.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Gabriela, Cravo e Canela
Gabriela, Cravo e Canela
Essa história de amor – por curiosa coincidência, como diria dona Arminda – começou no mesmo dia claro, de sol primaveril, em que o fazendeiro Jesuíno Mendonça matou, a tiros de revólver, dona Sinhazinha Guedes Mendonça, sua esposa, expoente da sociedade local, morena mais para gorda, muito dada ás festas de igreja, e o dr. Osmundo Pimentel, cirurgião-dentista chegado a Ilhéus há poucos meses, moço elegante, tirado a poeta. Pois naquela manhã, antes da tragédia abalar a cidade, finalmente a velha Filomena cumprira sua antiga ameaça, abandonara a cozinha do árabe Nacib e partira, pelo trem das oito, para Água Preta, onde prosperava seu filho.
Jorge Amado
Jorge Amado, que desde os catorze anos participava em movimentos culturais e políticos, optou por Direito. Fez a vontade ao pai, mas não foi buscar o diploma e nunca exerceu advocacia. Em compensação, no ano da sua licenciatura, em 1935, já era escritor conhecido, autor de quatro livros que fizeram sucesso entre o público e a crítica: O País do Carnaval, com que se estreou aos 18 anos, Cacau, Suor e Jubiabá. Em 1937, devido ao seu intenso envolvimento político, viu toda a primeira edição do seu livro Capitães da Areia ser queimado em praça pública, o que o levou, em 1941, ao exílio na Argentina e no Uruguai.
Em 1945, Jorge Amado uniu-se a Zélia Gattai, companheira de toda a sua vida. Deputado federal pelo Estado de São Paulo, fez parte da Assembleia Constituinte votando leis importantes, como a que ainda hoje garante a liberdade religiosa no país. Em 1947, o Partido Comunista foi ilegalizado e Jorge Amado perdeu os seus direitos políticos. Voltou para o exílio, desta vez em França e na Checoslováquia, continuando a escrever e a trabalhar pela paz, agora em companhia de Pablo Neruda, seu velho amigo, de Pablo Picasso, de Louis Aragon, de Nicolás Guillen, só regressando ao Brasil em 1952. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, vindo também a pertencer à Academia de Letras da Bahia, à Academia de Ciências e Letras da República Democrática Alemã e à Academia de Ciências de Lisboa, sendo menbro correspondente destas duas últimas.
O seu livro Gabriela, Cravo e Canela, publicado em 1958, teve grande sucesso e os seus direitos cinematográficos foram vendidos para a Metro, o que possibilitou ao escritor a compra de uma casa em Salvador realizando assim o sonho de voltar a viver na sua terra. Em 1963, Jorge Amado muda-se com a sua família para a Rua Alagoinhas, onde tem escrito os seus livros.
Jorge Amado foi agraciado com inúmeros prémios internacionais.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Mulher em Branco
É a primeira vez que leio um livro deste escritor (jornalista e argumentista) e estou verdadeiramente surpreendida. Acho que tem um modo distinto de escrever (diria mesmo que próprio). Agora deixo-vos com algumas citações para abrir o “apetite”: “Dentro de ti, ainda que nunca suspeitasses. Também a terra acaba onde o mar começa. Entras em poiso firme. Agora esbracejas, liquida. Em ti, a terra também acaba e o mar começa. É onde o diabo faz o ninho.” “Eu consigo voar. Flutuo por onde me apetece. Raso picos de montanhas e suspendo-me coberto pela primeira nuvem da noite. Se quiser, paro. Rodopio. Precipito-me da cabeça para baixo, deixo-me ir, abro os braços. Tenho sempre fome. Vagueio, procuro. Nunca encontro. Sou transparente, já indefinido. Sou vazio e estranho-me em tudo.” “Do que recordas eu era cadáver. E nos buracos mais fundos me buscavas cuidando atrair-me. Sabendo que me resto imemorial, à deriva em carne fresca, o proibido que negas quando só eu decido. E me perfumo incessante no sangue dos mártires que convocas. E me alimento do que me atiras para me matar.” “O coração é um bicho (…), um dragão, a besta, o falso profeta (…), onde a verdade e a mentira se agridem até à morte” “Porque o coração é um bicho e não ouve.”
PS: O surpreendida transformou-se em surpreendida pela negativa....como é possível que um jornalista que até admiro seja, para mim, um escritor que não me inspira a mínima vontade de voltar a ler um livro escrito por ele???









