Bem vindos

Já há imenso tempo que ando para criar este blog, umas vezes por falta de tempo outras por falta de paciência... mas pronto finalmente aqui está ele... espero que gostem das viagens que lhes ofereço... só necessitam de um cadeirão e algum tempo...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Truta




Roger Vailland nasceu a 16 de Outubro de 1907.

Apareceu recentemente uma nova tradução ( Livros do Brasil ) do seu 1º romance, Drôle de Jeu. Agora como " Jogo Curioso". Não gosto. Para mim será sempre "Cabra Cega", da primeira tradução de Hélder Macedo, em 1959, numa edição da já desaparecida Ulisseia.

Como romancista não foi um autor prolífico. Publicou 11 romances. Curiosamente oito encontram-se traduzidos em português :

1937 : " Un homme du peuple sous la révolution" em colaboração com Raymond Manevy. Publicado como folhetim no jornal da CGT, "Le Peuple". Editado pela Corrêa em 1947 e pela Gallimard em 1979. Há uma edição portuguesa da Fronteira, de 1976, "Um Homem do Povo na Revolução".
1945 : "Drôle de Jeu", Prémio Interallié, da Corrêa. Várias traduções para português desde a já referida "Cabra Cega" da Ulisseia em 1959. E depois, com o mesmo titulo, pela Europa América e Circulo de Leitores. E agora pela Livros do Brasil com o titulo " Jogo Curioso".
1948 : "Les Mauvais Coups" da Le Sagitaire e em 1989 pela Grasset. Há uma edição portuguesa da Ulisseia, de 1961, "Roda da Fortuna" com tradução de Augusto Abelaira.
1950 : "Bon pied, bon oeil" da Corrêa e em 1989 pela Grasset. Livro que é a "continuação" de "Drôle de Jeu". Este termina em Junho de 1943. "Bon pied , bon oeil" começa num domingo de Março de 1948. Ficamos a saber, logo no inicío, que Marat ( François Lamballe ) foi gravemente ferido em 1945, como correspondente de guerra, na travessia do Reno. Agora tem 43 anos e"est revenu à la vie civile, acheta un beau domaine, sur le plateau de l'Aubrac, aux confins du Cantal et de la Lozère. Cést là qu'il vit aujourd'hui, dans une solitude qui étonne tous ses amis. Il dirige lui-même l'exploitation de son bien, qui comporte un important élevage de bovidés et une fabrique de fromages." ( pág 10 da edição da "Livre de Poche", nº 1387 )
1951 : "Un jeune homme seul " da Corrêa e em 1989 pela Grasset. Há uma edição portuguesa da Minerva de 1972, "Um homem só".
1954 : "Beau Masque" da Gallimard.
1955 : "325000 francs" da Corrêa.
1957 : "La Loi ", Prémio Goncourt, editado pela Gallimard. Há uma edição portuguesa daEuropa- América, de 1975, " A Lei", nº 101 da colecção Livros de Bolso.
1960 : "La Fête " da Gallimard. Há uma edição portuguesa da Livros do Brasil, de ???? ( o ano não é referido no livro que tenho ), "Fim de Semana", nº 68 da colecção "Dois Mundos".
1964 : "La Truite" da Gallimard. Há uma edição portuguesa da Livros do Brasil, de ???? ( o ano não é referido no livro que tenho ), " A Truta", nº 95 da colecção "Dois Mundos".
1986 : "La Visirova" pela Messidor. Trata-se do primeiro romance de Vailland que apareceu em 1933, sob a forma de folhetim no "Paris-Soir" e é reeditado em 1986 pela Messidor. há uma edição portuguesa da Dom Quixote, de 1987, "A Visirova", nº 12 da "Biblioteca de Bolso".

Publicou igualmente diversos ensaios , peças teatro/ cinema e ainda livros de viagem/ reportagem. Em português foram publicados :
- "Experiência do Drama " ( "Experience du Drame", de 1953 ) , em 1962, pela Presença.
- "Esboço para um retrato do verdadeiro libertino" ( "Esquisses pour un portrait du vrai libertin", de 1946 ) , em 1976, pela &etc.
- " Borobudur. Viagem a Bali, Java e outras ilhas" ( " Boroboudour, voyage à Bali, Java et autresiles" , de 1951 ), em 1961, pela Prelo.
- "Escritos Íntimos" ( "Écrits intimes", editado em 1968, já depois da sua morte ), pela EuropaAmérica, em dois volumes, os nº 208 e 209 da colecção "Estudos e documentos" que infelizmente não mencionam o ano da edição, que penso ser de 1985.

sábado, 17 de setembro de 2011

O doutor Jivago




Eu sei que o livro tem mais de 40 anos, mas ainda não tinha tido coragem para o ler, e foi desta, nas férias o coitado fartou-se de ir à praia....

"O contexto histórico de O Doutor Jivago incide nas transformações sociais ocorridas logo após a Rvolução de Outubro de 1917 a qual culmina com a execução da família Romanov e a instauração do Regime Soviético, em vigor durante mais de 70 anos.

O romance valeu o Prémio Nobel ao Autor em 1958. Foi, no entanto, impedido de o receber pelas autoridades estatais da União Soviética que não permitiram a sua deslocação a Estocolmo para o efeito. Só em 1987 Pasternak será reabilitado por Gorbachov, dentro do movimento da 
pereströika e a sua obra finalmente divulgada dentro do território da URSS.
O Doutor Jivago é, em muitos aspectos, revestido de carácter autobiográfico, uma vez que o protagonista do romance – um médico-escritor-pensador-poeta que coloca a nu as contradições do regime ao utilizar uma linguagem objectiva, na maior parte das vezes de pendor jornalístico, ou sob o formato de crónica, sempre sem recorrer a juízos de valor – vê-se, subitamente, privado de uma colocação estável, devido aos seus escritos e à livre expressão do Pensamento. Jivago é um homem fortemente ligado à realidade do quotidiano e, ao descrevê-la objectivamente, torna-se perigoso para os homens de ideias abstractas, por colocar em evidência o enorme abismo entre utopia e realidade.
A linha de desenvolvimento do o romance explora, através de quadros que ilustram cenas do quotidiano de todas as classes sociais que compõem a pirâmide social russa da época, através de uma análise fria e da utilização de uma linguagem de carácter informativo-jornalistica para descrever os factos históricos. Em ambas as situações, o narrador actua como um observador, um fotógrafo ou um camaraman, o qual manobra a sua objectiva para captar cenas individuais, envolvendo cidadãos anónimos mas inseridas num quadro de mudança estrutural a todos os níveis: económico, social e cultural.
Um olhar nem sempre conveniente para os órgãos difusores da propaganda comunista. Pasternak empenhou-se em mostrar como a dissecação das contradições decorrentes de uma total destruição da superestrutura político-jurídica e da interacção dos agentes económicos se traduziu num caos e desagregação económica e de uma situação de empobrecimento generalizado onde se junta a falta de bem consumíveis mais básicos.

A tomada de consciência colectiva desta desorganização iria colocar o novo governo numa situação embaraçosa que o desacreditaria sendo, desta forma, compreensível a necessidade de colocar uma obra deste género na sombra.

As transformações ocorridas no quotidiano das gentes da velha Rússia são-nos mostradas em O Doutor Jivago através da análise transversal da sociedade da época – finais da primeira Grande Guerra do século XX e interregno entre as duas Grandes Guerras, até ao final da Segunda Guerra Mundial.

A mudança mais notória é o desaparecimento de uma burguesia progressista e empreendera, de uma aristocracia agarrada às velhas tradições que remontam ao feudalismo e de uma classe intelectual proveniente destas duas facções, durante o reinado de Nicolau II. Parte dessa mesma classe intelectual acaba por se converter em burocratas, difusores da propaganda no novo regime, algo que Pasternak e o seu alter-ego, Jivago, se recusam a fazer, sofrendo as consequências da sua opção ou, melhor dizendo, da insistência da observação da neutralidade ideológica e manutenção da independência e integridade do pensamento individual e das atitudes face ao Estado.

O Czar Nicolau, apesar de ser uma personagem meramente figurativa neste romance, mostra-se como um governante que, apesar de ligado às tradições, se mostra receptivo a novas formas de governação de inspiração francesa quer no que toca ao desenvolvimento da indústria – a Rússia encontra-se nesta altura em pleno arranque da Revolução industrial – quer na orientação ideológica na forma de governar retirada do Iluminismo. Apesar das constantes ameaças ao regime, provenientes dos movimentos revolucionários de inspiração marxista que actuavam na sombra e intensificados pela revolta popular após a execução do mago e monge Rasputine – o qual Nicolau II considerava como charlatão, cínico e falso milagreiro – o Czar decide abolir a pena de morte, reinstaurada após a Revolução pelos Sovietes.

Os conflitos anteriores à Revolução de Outubro são, segundo o ponto de vista de Pasternak e confirmados por várias fontes históricas da época, despoletados pelos abusos de poder por parte de alguns elementos das classes mais favorecidas traduzindo-se em actos despóticos e de vandalismo verificando-se, simultânea e frequentemente, a impunidade dos mesmos. Uma classe representada claramente pelo escorregadio e camaleónico Komarovski ou Komarov, advogado burguês no tempo do Império e burocrata no novo regime, que se serve da sua posição para exigir favores sexuais a Lara, a protagonista feminina.

Os tumultos, as revoltas, as cenas urbanas e campestres têm, como pano de fundo, a tecedura de um cenário recheado de detalhes e cambiantes cromáticos, sonoros e cinestésicos que permitem a visualização de todas as cenas como se estivéssemos a ver um filme, passado não só em Moscovo, mas também na Sibéria, nos Urais, na fronteira com a Ásia e a Mongólia.

A escassez a nível generalizado está patente, sobretudo, nas cidades onde a dificuldade em adquirir lenha ou outro combustível para o aquecimento – face ao desaparecimento dos fornecedores e pelos rigorosos esquemas de racionamento decretados pelo Governo – agudiza a proliferação da fome, bem como das doenças infecciosas, apesar do silêncio generalizado relativamente à origem destes factos.
As alterações dos hábitos de toda uma sociedade, a começar pelas classes outrora mais favorecidas, traduz-se na ocupação de espaço no palacete da família da esposa de Jivago, Tonia, em Moscovo obrigando a família a deslocar-se primeiro para Varikino, na Sibéria junto aos Urais e, depois a procurar exílio em Paris.

As consequências da proibição no que respeita à produção e fornecimento de qualquer bem primário ou manufacturado ficam evidentes pela constatação de Jivago ao verificar que Tonia não consegue produzir pão, para consumo próprio e venda do excedente, no palácio de Varikino; ao enfrentar as dificuldades titânicas em encomendar uma peça de vestuário para uma emergência a uma costureira – toda a iniciativa privada está proibida – uma vez que tal só é possível nas fábricas estatais tendo de preencher, para o facto, uma requisição. Mesmo, uma nova fechadura para a porta da entrada da casa de Lara em Iuriatine, que se encontra partida, dada a impossibilidade de encontrar um serralheiro a exercer funções, não se consegue arranjar.

Boris Pasternak nunca critica o regime directamente para evitar transformar um romance que pretende descrever uma realidade social em contexto de mudança, num manifesto de contra propaganda comunista, o que lhe retiraria crédito e verosimilhança. E é esta última característica que, por estar tão impregnada no romance, aumenta exponencialmente a força o impacto do texto e obriga o leitor a reflectir sem submetê-lo a todo um esquema de argumentação ideológica e abstracta, vazia de conteúdo.

O Amor como temática principal inserido em contexto histórico adverso
Outro tema-chave de O Doutor Jivago é o Amor, ou não fosse um poeta a personagem principal. O amor está presente em todas as suas manifestações, desde o amor filial – logo na primeira cena, com Iuri Jivago como protagonista no funeral da mãe – a colocar em evidência o carácter ultra sensível do protagonista cuja debilidade física, ainda embrionária, acabará por vitimá-lo pouco depois de atingir os quarenta anos. A expressão deste amor filial em Iuri é, depois, transferida para os pais de Tonia, que acabam por adoptá-lo até entrar, oficialmente, para a família após casar com a irmã adoptiva.
Jivago e Tonia vivem, durante muitos anos, como irmãos e desenvolvem um afecto mútuo e genuíno.
Tonia é dotada de um espírito pragmático e grande desembaraço, adquirido durante o período em que estuda Direito, em Paris. É através de do percurso de Tonia e, mais tarde de Lara, que nos apercebemos que, no início do século XX, as mulheres da alta média e alta burguesia eram incentivadas ou, pelo menos não eram impedidas de frequentarem o ensino superior e exercer profissões liberais, o que não acontecia na maior parte dos países da Europa Ocidental, Portugal inclusive.

O carácter de Tonia cria um forte contraste com a índole sonhadora e romântica de Jivago, que escolhe a profissão de médico, com o objectivo de ser útil à sociedade, por um lado – e, também, para garantir uma colocação que lhe permita sustentar uma família. Para além da Medicina, Jivago dedica-se apaixonadamente à escrita. Como poeta, filósofo e esteta desinteressado das questões materiais, abdica da herança paterna em favor dos irmãos, para não dispersar a energia em conflitos jurídicos que poderiam impedir, quer o desenvolvimento do lado criativo da personalidade quer a concentração necessária ao exercício da profissão e a dedicação aos estudos.
Com a chegada da adolescência nasce, entre Tonia e Jivago, um amor adolescente, largamente incentivado pela mãe de Tonia, sobretudo quando esta se encontra fatalmente doente.

Mas o aparecimento acidental de Lara na vida de Iuri, já depois de casado, despoleta autêntica uma revolução, um caos emocional no íntimo de Iuri Jivago, tanto quanto o comunismo subverte as estruturas da velha Rússia de raízes feudais. Lara representa para Jivago O Ideal de Eterno feminino, a própria Inspiração.
Na verdade, ambos têm muito em comum, desde a forma de ver o mundo até aos gostos estéticos. Mas a característica principal dos dois amantes é o altruísmo. Lara e Jivago são, ao mesmo tempo, semelhantes e complementares: à faceta sonhadora e idealista de Jivago, junta-se o pragmatismo de Lara para a resolução dos pequenos grandes problemas do quotidiano, como a prática de enfermagem e resolução de problemas logísticos em casa. Aluna brilhante, Lara é uma jovem que pretende continuar os estudos para poder leccionar – um impulso para trabalhar para a colectividade muito semelhante ao de Jivago. Tudo isto reúne um conjunto de factores que reforçam uma atracção espontânea, recíproca e imediata, entre o par romântico da obra.

Em relação ao marido de Lara, Pavel Antipov, Lara alimenta por ele um forte sentimento de amizade e solidariedade a par de admiração. No entanto, Lara “ama-o com a cabeça e não com o coração”…

Antipov é um indivíduo bem intencionado mas no qual se nota, logo a partir da descrição do seu aspecto exterior, um a excessivo apego à ordem, à arrumação, a par de um sentido de dever que o leva a colocar a obediência às normas num patamar que supera, inclusive, os afectos.
Por seu lado, Jivago acaba por simpatizar com o marido de Lara, intuindo também, o fim deste, como consequência do desenrolar dos acontecimentos que ditam a marcha da história. O excessivo apego às regras acaba por tornar Antipov inconveniente ao próprio regime.

Nos últimos oito anos da vida, Jivago encontra uma terceira mulher – Marina – de origem humilde, mas que não consegue fazê-lo esquecer Lara. Jivago perde até a vontade de lutar, de escrever, de combater a própria doença, desde muito cedo auto diagnosticada…

A síntese
A ligação entre os dois temas principais, paralelamente desenvolvidos, é o despoletar de mudanças radicais que, tanto as ambições políticas como o amor, desencadeiam no Homem. A desagregação das estruturas, causada pelo primeiro termo, traz ao de cima, em situações extremas, impulsos tão bestiais como a antropofagia. A única coisa que o Estado não consegue expropriar – porque ainda mais rebelde que as reviravoltas políticas dos grupos mais extremistas – é o amor. Principalmente o amor que não cabe dentro de convenções sociais, do sentido do dever…O amor por Lara é algo a que Jivago se agarra com “unhas e dentes” porque é a única coisa que lhe resta. Quando lho retiram, por intermédio de Komarov, deixa de se importar seja com o que for. O astuto advogado revela uma conduta que faz lembrar Scarpia – o vilão da ópera de Puccini ou o Shakespeariano Iago.

O Simbolismo na escrita de Boris Pasternak

A beleza, o romantismo e a melancolia, profundamente enraizados na tradição cultural do imaginário russo estão, em O Doutor Jivago, presentes sobretudo nas lendas e canções tradicionais em vários momentos do romance, onde se destaca a ladainha entoada pela velha curandeira, “rival” de Jivago no tratamento das feridas de guerra dos soldados da unidade onde este se encontra destacado, no Exército Vermelho, pouco antes de desertar.

A identificação da paisagem visual com o estado de alma de Jivago, frequente na obra, causa um forte impacto visual, ao desempenhar o papel de canalizadora de emoções. O gelo e a infinita gradação denuances de branco e cinza na paisagem siberiana traduzem, normalmente, o desespero; o carácter eterno e a solidez de árvores como as bétulas, os abetos e os pinheiros, essenciais à sobrevivência por fornecerem a madeira indispensável ao aquecimento nas habitações, são um presença que transmite conforto.
Os pássaros como os corvos e as gralhas, são sinalizadores de mau presságio, com o seu crocitar escarninho. Também o narrador, quando quer mostrar a linha de pensamento de Jivago, identifica-o com o rouxinol, ave de aspecto insignificante, mas cujo canto tem o poder de deslumbrar o mundo – tal como a poesia de Jivago. O uivar dos lobos em Varikyno, que perturba o par romântico da obra, anuncia a aproximação do Inimigo – Komarov e o Exército Vermelho – no encalço de Jivago após a deserção. Os lobos são, também, presságio de morte violenta – a de Antipov.
A Lua, em Pasternak, está, também, carregada de simbolismo. O luar, reflectido na neve em Varikyno, transforma a noite numa claridade feérica, mágica e fantasmal, que “ilumina sem aquecer” ao erguer-se no horizonte da noite siberiana. Trata-se de um presságio de separação para os amantes…
Em vários momentos, ao longo do romance, a presença da Lua, sobretudo quando aureolada de vermelho, está fortemente conotada com acontecimentos trágicos, como na página 132, a simbolizar um conflito na rua entre duas facções opostas: “Por detrás do ninho de corvos, surgiu a lua, uma lua cheia, vermelha e escura, alta e monstruosa (…). E depois, no capítulo VII, antes de um banho de sangue: (…) “ia alta a Lua, e o mundo mergulhava nessa luz espessa como num charco de alvaiade (…) vielas mortas vinham desembocar na praça (…) essa noite banhada pela Lua, maravilhava como a misericórdia divina ou como o dom dos visionários”. A Lua, apesar de fascinante, parece sempre estar associada a alguma divindade misteriosa e terrível como a deusa Hécate nos antigos Gregos…

Outro ícone carregado de simbolismo é a “Sorveira gelada”, árvore de folha perene, coberta de neve e bagas vermelhas de que os pássaros se alimentam como os necrófagos – humanos e animais – se alimentam dos cadáveres sangrentos dos soldados mortos…A arvore está localizada junto à vala comum onde é executado um grupo de desertores…
É junto dessa sorveira que Jivago decide empreender a fuga em direcção à aldeia siberiana de Varikyno e a empreender uma penosa odisseia através de uma das zonas mais geladas do globo, fingindo recolher algumas bagas para, tal como os pássaros enganar a fome…
Mais tarde, é à visão, bela e fatal, de uma árvore semelhante que Jivago associa a morte de Antipov, o qual se suicida…A Jivago, as gotas de sangue sob a neve, junto ao barracão do palácio em Varikyno, lembram-lhe as bagas da sorveira brava e o sangue dos desertores executados pelos burocratas do regime.

Para Iuri, a vida termina com a partida de Lara, contra a vontade de ambos, forçada pelas circunstâncias. Para além de se ver privado da pessoa que ama, a mutilação da livre expressão do pensamento, da criatividade na escrita e na arte como “expressão de verdade individual”, obriga-o a escolher a renúncia e a sobrevivência, o que lhe tira o ânimo até para o exercício da Medicina.
Jivago não deixa de notar que, até os seus melhores amigos, submetidos e enquadrados de alguma forma no regime, são falhos no que toca à originalidade, limitando-se a repetir fórmulas decoradas baseadas em conceitos abstractos. Jivago sente que os parceiros de outrora se “venderam”.
Nem a intervenção, do misterioso irmão Evgraf, membro da polícia secreta, sempre presente nos momentos cruciais, consegue evitar que Iuri se afunde…Este consegue apenas reunir os escritos de Iuri, incluindo os Poemas a Lara e publicá-los já após a sua morte.
Afinal, na Nova Ordem, os problemas do anterior regime persistem. No fundo, o essencial não muda nunca.
Por mais revoluções que se façam, haverá sempre presas e predadores. "

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ashanti (Ébano)


Um livro de 1978, onde o popular romancista espanhol Alberto Vasquez-Figueroa situa em África a acção deste seu romance, cujos principais personagens são um jovem universitário europeu, David, casado com uma negra, Nádia, desportista e idealista, que procura atrair a atenção do mundo ocidental para a miséria reinante no seu país africano.

O casal vai passar a lua-de-mel a África , mas a mulher desaparece quando se banhava numa lagoa; as suspeitas iniciais alvitradas depressa são substituídas por uma certeza: ela fora vítima de um rapto cometido por caçadores de escravos!

A partir daqui, e em relatos paralelos, David inicia a odisseia da procura da esposa, o que o força a atravessar o continente africano e a enfrentar situações extremamente dramáticas, onde o perigo espreita a cada passo. Por sua vez. Nádia percorre o calvário que a conduzirá à Arábia para ser vendida ao xeique que pague melhor.
Descrito com o estilo peculiar do autor – um estilo tremendamente realista e cheio de ritmo cinematográfico – depressa este romance  atraiu as atenções da sétima arte que o transformou num espectacular filme de aventuras interpretado por grandes vedetas como Michael Caine, Peter Ustinov, Rex Harrison, Omar Sahrif, Kabir Bedi e a bela Beverly Johnson.




Alberto Vásquez-Figueroa nasceu em Santa Cruz de Tenerife, em 1936. Até aos dezasseis anos viveu no exílio com a família em Marrocos e no Sahara.Licenciou-se em jornalismo e em 1962 iniciou uma longa actividade como enviado especial da revista Destino, do jornal La Vanguardia e mais tarde da TVE. Durante quinze anos visitou quase uma centena de países e foi testemunha de numerosos acontecimentos-chave do nosso tempo, entre os quais as guerras e revoluções da Guiné, Chade, Congo, República Dominicana, Bolívia, Guatemala... Depois de se dedicar à realização cinematográfica, centrou-se por inteiro na literatura. Com mais de 40 livros publicados, nove dos quais adaptados ao cinema, Alberto Vázquez-Figueroa é um dos autores espanhóis mais lidos em todo o mundo e conta com mais de dezasseis milhões de livros vendidos.O Rei Amado é já o sexto livro do autor publicado na Difel, depois de Ícaro, O Inca, O Senhor das Trevas, Um Mundo Melhor e Tuaregue.




segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Codex 632

E como prenda do Dia da mãe recebi:




O enredo do mais recente romance de José Rodrigues dos Santos, “O Codex 632”, desenvolve-se em volta de uma mensagem enigmática encontrada entre os papéis que um velho historiador deixara no Rio de Janeiro antes de morrer: “MOLOC NINUNDIA OMASTOOS”.

A acção desenrola-se quando Tomás Noronha, professor de História da Universidade Nova de Lisboa e perito em criptanálise e línguas antigas, é incumbido de decifrar esta estranha cifra. Mas o mistério que ela encerrava revelou estar para além da sua imaginação, lançando-o inesperadamente na pista do mais bem guardado segredo dos Descobrimentos: a verdadeira identidade e missão de Cristóvão Colombo.
Ao longo dos séculos o debate sobre a identidade de Colombo tem dividido opiniões e criado, inclusivamente, entre historiadores e estudiosos, fortes divergências de opinião. Existem correntes distintas: há quem reclame a identidade genovesa, ao mesmo tempo que os espanhóis avançam com a teoria de que Cristóvão era catalão e tantos outros acreditam que este era português.
Numa viagem de 550 páginas o leitor confronta-se com factos curiosos como, por exemplo, a recolha de indícios de que Cristóvão Colombo era um judeu português.
No livro, ficam ainda pistas interessantes como o facto de Cristóvão Colombo ter casado com D. Filipa Moniz Perestrelo, uma jovem da nobreza portuguesa e descendente de Egas Moniz.
Além da História em si, uma das peculiaridades deste romance são as diversas estórias paralelas como, por exemplo, o romance de Tomás com Lena, uma aluna sueca e inteligente, ou a ruptura de Tomás com a sua mulher Constança. Ou ainda, a sua filha Margarida, com 9 anos e possuidora de “Trissomia 21”.
De referir, porém, que este é um romance histórico com recurso a fontes originais mas é ficcionado.


O autor José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 em Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 Horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002.
Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Director de Informação da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros. Já publicou quatro ensaios e este é o seu terceiro romance.
Baseado em documentos históricos genuínos, este novo romance de José Rodrigues dos Santos, transporta-nos numa surpreendente viagem pelo tempo, uma aventura repleta de enigmas e mitos, segredos encobertos e pistas misteriosas, aparências enganadoras e factos silenciados, um autêntico jogo de espelhos onde a ilusão disfarça o real para dissimular a verdade. Uma obra admirável que não se consegue parar de ler!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cem anos de solidão


Um dos meus presentes de aniversário. Ainda não li mas já está na lista de espera.


Cem Anos de Solidão (Cien Años de Soledad no título original) é uma obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prémio Nobel da Literatura em 1982, e é actualmente considerada uma das obras mais importantes da literatura Latino-Americana. Esta obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colômbia, em Março de 2007, Cem anos de solidão foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de la Mancha. Utilizando o estilo conhecido como realismo fantástico, Cem Anos de Solidão cativou milhões de leitores e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante de Gabriel García Márquez. A primeira edição da obra foi publicada em Buenos Aires, Argentina, em Maio de 1967, pela editora Editorial Sudamericana, com uma tiragem inicial de 8.000 exemplares. Nos dias de hoje já foram vendidos cerca de 30 milhões de exemplares ao longo dos 35 idiomas em que foram traduzidos.

Muitos falam da necessidade de se ler Cem anos de solidão com um bloco de apontamentos ao lado, com o intuito de se traçar a árvore genealógica dos 500 mil Aurelianos, José Arcadios e variações destes mesmos nomes para compreender a teia de personagens que vai sendo criada à medida em que os anos avançam. No entanto, a real essência está em ver a história além das suas personagens e entender o círculo que se fecha ante às previsões de um fim anunciado. Há diversos elementos que se entrelaçam formando um conjunto bastante interessante, pois, como disse Pablo Neruda, "este é o melhor livro escrito em castelhano desde Quixote".

P.S. Li e ao contrário de centenas ou milhares de pessoas DETESTEI, não definitivamente escritores como Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende ou Frida Kahlo não são do meu agrado. Foi o tempo mais mal empregue que passei a ler um livro e já houve vários que não gostei, mas este superou-os a todos...não gosto de escrita cheia de fantasmas, reencarnações e outros que tais....

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Luz de um Novo Dia


Uma das minhas prendas de Natal, talvez da pessoa que melhor me conhece… é o  primeiro livro que leio desta autora mas fiquei com uma enorme vontade de ler mais.


“Torey Hayden tem pela frente um ano escolar que constituirá talvez um dos desafios mais exasperantes e recompensadores da sua carreira. Da turma que lhe foi atribuída fazem parte Billy, um rapaz que transborda agressividade, Shane e Zane, dois gémeos afectados pela síndrome alcoólica fetal, e Jesse, um menino que sofre de síndrome de Tourette. Juntos provocam o mais profundo caos, do qual só Vénus Fox, uma rapariga de sete anos, parece estar alheia. Vénus não fala nem reage a qualquer estímulo, e dir-se-ia num estado quase catatónico não fosse tornar-se um perigo para si própria e para aqueles que a rodeiam quando sente o seu espaço ameaçado. Torey com a sua dedicação e sensibilidade, tentará chegar a estas crianças que tanto precisam dela, enfrentando obstáculos e revelações dolorosas, para as resgatar do seu sofrimento e lhes proporcionar a esperança de um novo dia.”
  
Torey Hayden nasceu em 1951 em Livingston, Montana, nos estados Unidos. Apesar de ter uma formação académica diversificada, dedicou grande parte da sua vida ao ensino especial e à escrita. Os seus livros inspirados nas crianças e adultos que conheceu no decurso da sua actividade profissional, são bestsellers traduzidos para cerca de 30 línguas.

Da sua colecção de livros fazem parte:
A criança que não queria falar
A menina que nunca chorava
Os filhos do afecto
Uma criança em perigo
Filhos do abandono
A força dos afectos
A prisão do silêncio

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Código Da Vinci

Esta foi a minha leitura nas férias, e se o que Dan Brown escreveu for verdade... e se Maria Madalena foi mesmo esposa de Jesus e ainda existirem descendentes deles entre nós... pois é... como sempre o livro é sempre melhor que o filme que já tinha visto há algum tempo. Quanto ao livro também só agora o li apesar de já o ter há alguns anos... uma compra em duplicado... também para alguém que já não vejo há 5 anos e alguns meses... só espero que estejas bem e que sejas feliz...



Robert Langdon, conceituado simbologista, está em Paris para fazer uma palestra quando recebe uma notícia inesperada: o velho curador do Louvre foi encontrado morto no museu, e um código indecifrável encontrado junto ao cadáver. Na tentativa de decifrar o estranho código, Langdon e uma dotada criptologista francesa, Sophie Neveu, descobrem, estupefactos, uma série de pistas inscritas nas obras de Leonardo da Vinci, que o pintor engenhosamente disfarçou. Tudo se complica quando Langdon descobre uma surpreendente ligação: o falecido curador estava envolvido com o Priorado de Sião, uma sociedade secreta a que tinham pertencido Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Da Vinci, entre outros.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Encontro de Ex.Combatentes no RI 15/TOMAR





Como o próprio nome indica trata-se de um dos muitos livros que nos leva de volta a Moçimboa da Praia e aos longínquos anos de 1971-1974... BCAÇ 3868.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A terra será tua


Publicado pelo Circulo de Leitores, Outubro de 2008

Chufo Lloréns nasceu em Barcelona em 1931. Estudou Direito, mas acabou por exercer actividade profissional no mundo do espectáculo. Apaixonado por História, este autor iniciou a sua carreira literária há mais de 20 anos; entre as suas obras podemos encontrar La outra lepra; Catalina, la fugitiva de San Benito e La saga de los malditos, que receberam o reconhecimento da crítica e dos leitores. A Terra Será Tua é o fruto de quatro anos de intenso trabalho de pesquisa e de escrita.


A luta pela posse da terra como um grande romance de amor

A Barcelona do século XI abriga entre as suas muralhas duas histórias, ambas marcadas pelo drama, o amor e a ambição: a de um jovem camponês que consegue modificar o seu destino com o único fito de prosperar e de se tornar merecedor do amor de uma jovem de alta estirpe; e os amores adúlteros do conde de Barcelona, que mergulham a cidade num perigoso conflito político.

Marti Barbany tem dezanove anos quando chega à cidade condal, fugindo a uma vida de pobreza, e fica deslumbrado por um agregado populacional muito maior dos que os que vira até então e que se abre perante si como uma terra plena de oportunidades. Inicia um caminho recheado de obstáculos, mas que, graças a um inesperado legado e à sua habilidade para os negócios, o leva a atingir a prosperidade e a converter-se numa personalidade eminente, mas, também, invejada. A fortuna, contudo, nem sempre se encontrará do seu lado, e tanto o amor como a tragédia protagonizarão, igualmente a sua vida. A história de Martí entrelaça-se com as do conde de Barcelona, Ramón Berenguer I, cujos amores adúlteros com a condessa Almodis de Tolouse o levam a confrontar-se com os condados vizinhos e com o próprio Papa, fazendo perigar a paz da cidade condal.

sábado, 3 de abril de 2010

100 Maravilhas do Mundo




Círculo de Leitores, Setembro de 2006


Gostei do livro, só tive pena que Portugal não estivesse representado, que não houvesse nenhuma das nossas maravilhas incluídas no livro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um amor em tempos de guerra

Júlio Magalhães é um dos rostos mais conhecidos do jornalismo português, sendo director de informação da TVI, responsável pela TVI Porto e editor e pivot dos telejornais da estação ao fim-de-semana. Nascido no Porto a 7 de Fevereiro de 1963, foi para Angola com sete meses, tendo vivido um ano em Luanda e doze em Sá da Bandeira (Lubango). Em 1975 regressou para Portugal, mais precisamente para a cidade do Porto.

Aos dezasseis anos, iniciou a sua carreira como colaborador de O Comércio do Porto na área do desporto. Dois anos mais tarde integrava os quadros do mesmo jornal. Trabalhou ainda no jornal Europeu, no semanário O Liberal, na Rádio Nova e, em 1990, estreou-se na RTP onde, para além de jornalista e repórter, apresentou o programa da manhã e o Jornal da Tarde.



Editado pela A esfera dos Livros em Janeiro de 2010

Porque mesmo em tempos de guerra e sofrimento há amores que resistem a tudo.
António nasceu marcado pelo nome. O mesmo que o vizinho da rua das traseiras, o homem que se fez doutor em Coimbra e que ia à terra sempre que podia, o tal que governava o país com pulso de ferro. Mas de pouco ou nada lhe valeu tão grande nome quando o destino o enviou para Angola, para defender a pátria em nome de uma guerra distante que não era a sua.

Deixou para trás a sua terra, a mãe inconsolável e Amélia, a mulher que pedira em casamento, num banco de pedra, junto á igreja e que prometera fazer dele o homem mais feliz do Vimieiro. Promessa gravada num enxoval imaculado que ficou guardado no armário, à espera do fim daquela maldita guerra.

Quando António regressou de Angola, era um homem diferente. Marcado no corpo por anos de guerra e de cativeiro e no coração por um amor impossível que deixara em pleno mato angolano. Regressava para cumprir a promessa que fizera anos antes à sua noiva Amélia, que o julgara morto, e que, em sua memória, tinha enterrado um caixão sem corpo.

terça-feira, 30 de março de 2010

A chave da Luz


Um livro de 2003, Editado pela Bertrand em Outubro de 2009

Numa noite de tempestade, três mulheres encontram-se numa enigmática festa num velho casarão. Malory, Zoe e Dana não se conhecem, mas têm um ponto em comum: todas estão na eminência de perder os empregos. Sabendo disso os seus anfitriões fazem-lhes uma proposta que lhes poderá render uma enorme quantia. Para a ganharem, terão de encontrar três chaves que abrem uma misteriosa caixa onde se encontram aprisionadas as almas de três princesas. Cada uma delas terá apenas 28 dias para encontrar a chave que lhe corresponde, e só poderá prosseguir caso a sua predecessora seja bem sucedida. Porém, caso falhe, todas perderão um ano das suas vidas.

Apesar do perigo, a tentação é grande, e a sorte dita que seja Malory a primeira a tentar encontrar a sua chave, a Chave da Luz. O destino das três está agora nas suas mãos pois, se falhar, a vida de todas poderá ficar destruída para sempre.



… Ora aqui está um livro que me deixou com imensa vontade de ler os seguintes… se é que existem…lol… deparamo-nos a torcer pelas personagens em busca das chaves que como se percebe ao longo da história não são físicas mas residem no interior de cada uma das 3 mulheres…

Outras obras da autora publicadas pela Bertrand:

Um sonho de amor

Um sonho de vida

Um sonho de esperança

As jóias do sol

As lágrimas da lua

segunda-feira, 29 de março de 2010

O coração do mar



Um livro de 2000, Editado pela Bertrand em Setembro de 2009

Darcy Gallagher sempre acreditou na importância da fé, na força da tradição… e no poder do dinheiro. Sonha em encontrar um homem rico que a apresente a um mundo repleto de glamour e aventura, que acredita ser o seu destino.

Trevor Magee, um homem de negócios com antepassados irlandeses, chega a Ardmore com a intenção de construir um teatro… e descobrir os segredos dos seus antepassados. Há muito que não acredita no amor, mas Darcy tenta-o como nenhuma mulher alguma vez fez. Ela é maravilhosa, inteligente, sabe o que quer… e ele está mais do que disposto a dar-lho.

Mas quando a sua atracção mútua se transforma em paixão, olham para os seus corações e descobrem que numa terra antiga como a Irlanda, o amor tem raízes na própria magia.



… Este é o terceiro livro da triologia de que fazem parte, As jóias do sol

As lágrimas da lua… dando-nos a conhecer toda a família gallagher e a forma como foram escolhidos para libertar o amor do príncipe das fadas com uma comum mortal…

sexta-feira, 26 de março de 2010

Saga os MacGregor – O Início de uma saga

Com mais de 160 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, e mais de 60 bestsellers na lista do New York Times, NORA ROBERTS é uma das autoras mais lidas, acarinhadas e respeitadas do mundo. Foi a primeira autora a ser convidada para o Romance Writers of America Hall of Fame. Nascida em Silver Spring, Maryland, Nora Roberts é a mais nova de cinco filhos. Vive em Keedysville onde continua a escrever.


Nora Roberts é uma reconhecida autora desde que começou a escrever as suas histórias, em 1979. Considerada uma das maiores romancistas do mundo, sabe combinar na perfeição o amor, a intriga e o mistério nas suas obras. Recebeu vários prémios RITA, do Romance Writers of America, e é membro do Mistery Writers of America e do Crime League of America. Muitos dos seus livros foram adaptados ao cinema e traduzidos para mais de 26 línguas, sendo que a autora vende em média 21 exemplares por minuto. Com cerca de 100 livros na lista dos mais vendidos do New York Times até à data, Nora Roberts é a escritora de ficção feminina mais célebre e amada dos dias de hoje. Vive em Maryland com o marido.


Editora Harlequim – www.harlequimportugal.com

A vida e os amores da extraordinária família MacGregor
Os livros que li desta saga fizeram-me lembrar um pouco o livro “Pássaros Feridos”



Rebelião


Um livro de 1988, Editado pela Harlequim em Fevereiro de 2010

Escócia, 1745. Um olhar foi o suficiente para que Brigham Langston ficasse fascinado pela beleza arrebatadora de Serena MacGregor. Contudo, para Serena, Brigham não passava de outro inglês desprezível. Ainda assim, nos braços do aprumado e perigoso cavalheiro, o ódio da orgulhosa escocesa depressa se consumiu no fogo da paixão.

Um relato da guerra que opôs os Escoceses e os Ingleses na luta pela independência da Escócia. Uma luta que fez com que muitos escoceses que tinham tomado parte pela rebelião tivessem que emigrar para os Estados Unidos para não serem presos, nem mortos.

Medo do Amor

Um livro de 1990, Editado pela Harlequim em Fevereiro de 2010

Neste romance sobre um MacGregor do século XVIII, descobrimos que a sua participação na Insurreição contra os britânicos não poderia preparar Ian MacGregor para a batalha que tinha entre mãos: conquistar o coração de Alanna Flynn, uma indomável irlandesa.

Enquadrando no tempo, este romance, acontece 28 anos depois de Rebelião, em que a personagem principal, Ian nasceu em plena guerra entre escoceses e britânicos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Ultramarina


Confesso que não é o meu género de leitura. A mistura entre a acção e os pensamentos da personagem principal, Dana Helliot (o autor), deixam-nos um pouco perdidos na história. Uma autobiografia de quando ainda era um jovem de 18 anos. Um livro de 1933 editado em Portugal em 1986.
Estas semanas têm dado para pôr a leitura em dia, infelizmente... mas tudo passa e dias melhores hão-de vir... para já vou publicar alguns dos livros que tenho lido ultimamente...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Moçambique 1964-1974 - ex-combatentes Portugueses e da Frelimo falam da guerra


Mais um livro com relatos da Guerra do Ultramar. Um livro com imensas histórias e fotografias, no qual o meu pai contribuiu uma parte...

Quanto a este livro, já sabem que é um tema que me toca em especial… como o meu pai costuma a dizer, por vezes até parece que fui eu que andei na Guerra do Ultramar e não ele, devido à minha capacidade de me interiorizar nas histórias que ouço e de como que teletransportar-me para esse passado tão recente na memória de uns quantos, cada vez menos, que lutaram, sofreram, choraram, morreram e para quê?...por quê?, por uma pátria que nada lhes deu em troca e que nunca os apoiou depois de tudo o que eles passaram…


De forma a elucidar os seguidores deste blog, vou transcrever alguns excertos do livro, de forma a “entrarem” no pensamento daqueles jovens de 21/22 anos, que cada vez que saíam do quartel para irem para o mato, iam sempre com a incerteza de voltar.

Pág. 154 – “ Olha, se houver azar, levas a minha mala e as minhas coisas e entregas aos meus pais”, Fernando Martinho da Silva Coelho – Bcaç. 3868 - CCS

Pág. 156 – “Finalmente os filhos pródigos regressaram à família, a Companhia” excertos do testemunho de Fernando Martinho da Silva Coelho – Bcaç. 3868 - CCS, quando chegou a Ribaué para se reunir novamente à Companhia que tinha partido de Moçimboa da Praia deixando-o e a mais 3 companheiros para trás numa missão.

Tal como consideravam os companheiros de Batalhão a família, consideravam os quartéis onde permaneceram tantos meses a sua casa. E era este espírito de união que os ajudou a suplantar tantos acidentes, emboscadas, perdas… que os ajudou a sobreviver…

Pág. 148 “Devo dizer que apesar das baixas em pessoal e material, nunca vi o Batalhão vergar. Vi homens a chorar amigos que não voltaram. Vi desânimo estampar-se-lhes no rosto, mas na hora de enfrentar de novo as dificuldades, vi-os pôr-se em pé e ir á luta. “ excerto do testemunho de José Aires Palmeira Queimado – Bcaç. 3868

Pág. 109 “A guerra em Moçambique era uma guerra de pobres, sustentada por um país de pobres, que tinha que repartir o chamado “esforço de guerra” por três frentes em simultâneo: Angola, Guiné e Moçambique. Só militares com a rusticidade e capacidade de sofrimento da nossa gente conseguiriam suportar durante tanto tempo tão gritante carência dos mais elementares e essenciais meios de apoio. Segundo revelam as estatísticas, em menos tempo de guerra morreram em Moçambique mais militares do que na soma dos conflitos armados da Guiné e de Angola. Quantas vidas não se perderam em Moçambique só porque não existiam suficientes e capazes meios aéreos para rápidas evacuações?”

Excerto do livro “Estilhaços, Crónicas de uma guerra que não se perdeu” de Laurélio Monteiro Ferreira da silva transcrito para o livro Moçambique 1964-1974 Ex-Combatentes Portugueses e da Frelimo falam da Guerra

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tieta do Agreste


Tieta do Agreste é um romance do escritor brasileiro Jorge Amado, publicado em 1977.
O livro apresenta uma situação dramática clássica: a da mulher que volta rica e poderosa à cidade de onde fora expulsa 26 anos antes, quando ainda era adolescente. À sua volta estão típicos representantes do interior baiano, lutando pela sobrevivência, defendendo ou resistindo apreconceitos, almejando pequenas ambições e que compõem um painel vivo dos conflitos provincianos que antecedem a chegada de sinais de progresso - e suas conseqüências.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dona Flor e seus dois maridos


Dona Flor e seus dois maridos é um dos romances mais conhecidos do escritor brasileiro Jorge Amado, membro da Academia Brasileira de Letras, que o publicou em 1966.
Alternando palavras e descrições extremamente realistas da vida boêmia da Salvador dos anos 40, com passagens mais amenas sobrecomida e remédios, o livro é um extenso e nostálgico painel do cotidiano e do passado da vida baiana.
O romance se inicia com a morte de Vadinho, um boêmio, jogador e alcoólatra que morre subitamente em pleno carnaval de rua, vestido de baiana. Deixa viúva Dona Flor, a quem explorava e que, apesar da vida desregrada do marido, era apaixonada por ele. Na primeira parte do livro são contados os excessos de Vadinho e de todos os companheiros boêmios que lhe cercavam.
Em contraste com esse ambiente decadente e de maus costumes contado em detalhes pelo autor, na segunda parte do livro é a vida pacata de Dona Flor que passa a ser retratada. É descrito como ela ganha a vida ensinando culinária na escola de sua propriedade "Sabor & Arte". Intercalando as aulas de culinária, há os suspiros da viúva pelo marido morto, que lembra cada vez mais constantemente das qualidades de ótimo amante de Vadinho e dos poucos momentos de luxo que lhe propiciara, quando ganhava no jogo. Ao mesmo tempo, ela é cortejada por um pretendente, um farmacêutico pacato e religioso. Os dois acabam se casando. Mas, de idade um pouco avançada e bastante conservador, ele não consegue satisfazer Dona Flor, que cada vez mais se lembra de Vadinho.
Na terceira parte, os acontecimentos se atropelam e assumem um estilo do realismo fantástico, quando o espírito de Vadinho (que era filho deExú) retorna e passa a atormentar Dona Flor. Somente ela vê Vadinho, que quando está com Dona Flor parece ser capaz de realizar as mesmas coisas que fazia na cama quando estava vivo. Dona Flor hesita em se manter fiel ao novo marido ou ceder ao espírito do primeiro.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Da Vila Forte a Terras do Índico


Depois de alguns meses, eis então a "minha" obra prima, pois é, resolvi pedir ao meu pai que escrevesse algumas das suas histórias de vida, e vi-me a mãos com 150 páginas de testemunhos reais, contados na primeira pessoa. Confesso que ri, chorei e eu própria senti estar na Guerra do Ultramar. Foi como se aquelas paisagens, as minas, os tiros fizessem mais parte de mim, para além de me estarem no sangue, transcrever os testemunhos fez-me vivê-los. Um bem haja a todos os ex combatentes da Guerra Colonial, em especial ao BCAÇ 3868 que esteve de 1971-1974 em Moçímboa da Praia, Ribaué e por fim na Beira.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As Lições do Tonecas



Nestas férias para não variar a leitura foi rainha... e indo ao baú de um amigo descortinou-se "As Lições do Tonecas" e mais alguns livros como "Pão com manteiga 1 e 2"

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Doce Veneno do Escorpião



O Doce Veneno do Escorpião é um livro que conta uma vida real de ex-prostituta. O livro descreve um passado real de uma moça adoptada por um casal que tinha além dela, duas filhas legítimas deste casamento. Seu pai tinha um trabalho que lhes fornecia uma vida muito rica, à qual permitia a sua mãe dedicar-se somente ao lar, apesar da mãe ser formada em curso superior, optou-se pela vida do lar. Neste livro ela conta uma parte de sua adolescência, seus relacionamentos com rapazes, sua vida de colegial, onde o limite sempre era desafiado. Seu pai após sofrer um grave acidente doméstico, não pode mais trabalhar e a família precisou se adequar a nova situação, tendo que morar em um sítio pois ele não mais podia manter o status devido seu acidente.Durante sua adolescência ela começa a mostrar uma certa curiosidade pelo prazer do mundo da sexualidade, jovem, bonita e muito inteligente, precisava apenas de um pequeno empurrão para que ela partisse definitivamento para o mundo da prostituição. Este dia chegou quando seu pai e sua mãe descobriram que a filha adotiva tinha compulsão pelo roubo, ela narra diversos momentos em que se aproveita de situações para tirar dinheiro da carteira de seu pai e até mesmo no varejo quando sua mãe a levava consigo, mas o limite chegou ao fim assim que a moça roubou de sua mãe um colar caríssimo e posteriormente vendendo no mercado por menos da metade de seu valor real.Assim que seus pais descobrem, resolvem ignorá-la dentro de casa, além de cortar a mesada e a liberdade de sair sozinha ou com amigos, foi obrigada também a deixar o bom colégio que estudava, para estudar em um colégio de classe baixa, seu pai não gastaria mais seu dinheiro com uma filha que não valorizava o que tinha.A situação torna-se insustentável no dia em que ela tem uma discussão com seu pai e este descarrega toda sua raiva com palavras de baixo calão e a chama inclusive de prostituta, a moça resolve sair de casa e se prostituir.Durante sua vida adúltera, ela vivencia várias situações e resolve descreve-las neste livro, a forma de descrevê-las é chocante e algumas ao mesmo tempo cômicas.Ela descreve algumas situações reais vivenciadas com seus clientes, dando vários detalhes e características, de seus programas, e durante a narrativa ela conflita com o seu eu verdadeiro e a prostituta com nome criado por ela, existe muitas vezes uma fusão da moça de família onde existem os valores éticos e morais e a profissão dela como prostituta.Um livro extremamente erótico, cômico por algumas vezes e verdadeiro, onde ela não controla o que acontece nos bastidores que existem nesse meio prostituído, inclusive as drogas, onde seu consumo torna-se cada vez mais compulsivo.Apesar desta vida desreigrada ela mesmo assim demonstra em todo seu livro que apesar de seu jeito erótico de viver a vida, também espera um dia encontrar seu príncipe encanto e formar uma família como toda a moça de boa família.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Valorize mais a sua vida



Pág. 89    " Quem possui saúde tem esperança e quem tem esperança tem tudo "

Pág. 114 " Um hoje vale por dois amanhã"

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Como encontrar a paz interior


“Não desespere. A felicidade ainda existe. Está mais perto do que você imagina. O céu pode começar dentro de si. Só depende de uma coisa: da sua escolha. Você pode escolher uma vida diferente, com novas metas. O caminho pode ser difícil, mas há um Amigo que pode ir consigo até ao fim. “

Ellen Gould Harmon White, (Gorham, 26 de Novembro de 1827Santa Helena, Califórnia, 16 de Julhode 1915) considerada uma profetisa pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Filha de Robert e Eunice Harmon, fazia parte de uma família de oito filhos, tendo como irmã gêmea Elizabeth.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Peregrinos do Cristo Rei de Almada


“ Este livro nasceu da necessidade pastoral de explicar aos visitantes do Santuário de Cristo Rei a grande mensagem de Paz e de Amor de que é portador este local. Mais do que um belo miradouro sobre Lisboa, um monumento, Cristo Rei é um Santuário onde o homem é provocado a descobrir, sentir e viver Deus na sua vida. A beleza natural da paisagem que se vislumbra, juntamente com as várias obras plásticas, ajudarão o leitor a meditar sobre tal questão. “

Sezinando Luís Felicidade Alberto, nasceu em Azinheira dos Barros, Grândola, a 19 de Junho de 1970. Frequentou os Seminários de Beja, Setúbal e Olivais (Lisboa) e o curso de teologia na Universidade Católica Portuguesa, também em Lisboa. Foi ordenado sacerdote no dia 8 de Junho de 1999 e nomeado reitor do Santuário de Cristo Rei, em Almada, a 15 de Agosto de 2002, tomando posse a 1 de Janeiro de 2003.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Gabriela, Cravo e Canela



Depois de tanto ouvir falar na primeira telenovela brasileira que apareceu em Portugal tive imensa vontade de ter o livro que a originou. Este ano quando a Planeta Agostini criou esta colecção resolvi comprar os 4 primeiros livros.


Gabriela, Cravo e Canela

Essa história de amor – por curiosa coincidência, como diria dona Arminda – começou no mesmo dia claro, de sol primaveril, em que o fazendeiro Jesuíno Mendonça matou, a tiros de revólver, dona Sinhazinha Guedes Mendonça, sua esposa, expoente da sociedade local, morena mais para gorda, muito dada ás festas de igreja, e o dr. Osmundo Pimentel, cirurgião-dentista chegado a Ilhéus há poucos meses, moço elegante, tirado a poeta. Pois naquela manhã, antes da tragédia abalar a cidade, finalmente a velha Filomena cumprira sua antiga ameaça, abandonara a cozinha do árabe Nacib e partira, pelo trem das oito, para Água Preta, onde prosperava seu filho.

Jorge Amado

Nascido a 10 de Agosto de 1912, em Itabuna, no sul do Estado da Bahia, Jorge Amado, nasceu, como dizia sua mãe, «com a estrela»: um homem afortunado. Seu pai queria que o filho fosse doutor, e ser doutor naqueles tempos era formar-se em Medicina, Engenharia ou Direito.

Jorge Amado, que desde os catorze anos participava em movimentos culturais e políticos, optou por Direito. Fez a vontade ao pai, mas não foi buscar o diploma e nunca exerceu advocacia. Em compensação, no ano da sua licenciatura, em 1935, já era escritor conhecido, autor de quatro livros que fizeram sucesso entre o público e a crítica: O País do Carnaval, com que se estreou aos 18 anos, Cacau, Suor e Jubiabá. Em 1937, devido ao seu intenso envolvimento político, viu toda a primeira edição do seu livro Capitães da Areia ser queimado em praça pública, o que o levou, em 1941, ao exílio na Argentina e no Uruguai.

Em 1945, Jorge Amado uniu-se a Zélia Gattai, companheira de toda a sua vida. Deputado federal pelo Estado de São Paulo, fez parte da Assembleia Constituinte votando leis importantes, como a que ainda hoje garante a liberdade religiosa no país. Em 1947, o Partido Comunista foi ilegalizado e Jorge Amado perdeu os seus direitos políticos. Voltou para o exílio, desta vez em França e na Checoslováquia, continuando a escrever e a trabalhar pela paz, agora em companhia de Pablo Neruda, seu velho amigo, de Pablo Picasso, de Louis Aragon, de Nicolás Guillen, só regressando ao Brasil em 1952. Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, vindo também a pertencer à Academia de Letras da Bahia, à Academia de Ciências e Letras da República Democrática Alemã e à Academia de Ciências de Lisboa, sendo menbro correspondente destas duas últimas.

O seu livro Gabriela, Cravo e Canela, publicado em 1958, teve grande sucesso e os seus direitos cinematográficos foram vendidos para a Metro, o que possibilitou ao escritor a compra de uma casa em Salvador realizando assim o sonho de voltar a viver na sua terra. Em 1963, Jorge Amado muda-se com a sua família para a Rua Alagoinhas, onde tem escrito os seus livros.

Jorge Amado foi agraciado com inúmeros prémios internacionais.

Jorge Amado faleceu na Bahia a 6 de Agosto de 2001.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mulher em Branco

É a primeira vez que leio um livro deste escritor (jornalista e argumentista) e estou verdadeiramente surpreendida. Acho que tem um modo distinto de escrever (diria mesmo que próprio). Agora deixo-vos com algumas citações para abrir o “apetite”: “Dentro de ti, ainda que nunca suspeitasses. Também a terra acaba onde o mar começa. Entras em poiso firme. Agora esbracejas, liquida. Em ti, a terra também acaba e o mar começa. É onde o diabo faz o ninho.” “Eu consigo voar. Flutuo por onde me apetece. Raso picos de montanhas e suspendo-me coberto pela primeira nuvem da noite. Se quiser, paro. Rodopio. Precipito-me da cabeça para baixo, deixo-me ir, abro os braços. Tenho sempre fome. Vagueio, procuro. Nunca encontro. Sou transparente, já indefinido. Sou vazio e estranho-me em tudo.” “Do que recordas eu era cadáver. E nos buracos mais fundos me buscavas cuidando atrair-me. Sabendo que me resto imemorial, à deriva em carne fresca, o proibido que negas quando só eu decido. E me perfumo incessante no sangue dos mártires que convocas. E me alimento do que me atiras para me matar.” “O coração é um bicho (…), um dragão, a besta, o falso profeta (…), onde a verdade e a mentira se agridem até à morte” “Porque o coração é um bicho e não ouve.”

PS: O surpreendida transformou-se em surpreendida pela negativa....como é possível que um jornalista que até admiro seja, para mim, um escritor que não me inspira a mínima vontade de voltar a ler um livro escrito por ele???